Saudações, prezados leitores! Bem-vindos ao blog Datas e nomes.
Ontem celebramos 203 anos da Independência do Brasil e
eu gostaria de falar sobre o nome Leopoldina. Não apenas sobre o nome,
mas principalmente sobre nossa imperatriz Maria Leopoldina, a primeira
governante de nosso país. Seu nome de batismo era Leopoldina Carolina Josefa, em
homenagem a São Leopoldo, padroeiro da Áustia, onde ela nasceu. Entretanto,
como (quase) todas as suas cunhadas possuíam nomes compostos com Maria
(em devoção à Virgem Santíssima), ela também adotou Maria em seu nome,
buscando sentir-se mais pertencente à sua nova família — e também ao novo país.
Eis a importância do nome como parte da identidade pessoal.
Leopoldina era filha do imperador da Áustria, Francisco
I. Naquela época, os casamentos reais eram arranjados, mas Francisco I
permitiu a Leopoldina aceitar ou não o pretendente que ele havia
escolhido para ela (Dom Pedro I, príncipe do Brasil). Leopoldina
confiou na sabedoria de seu pai e aceitou. Ela se apaixonou por Pedro
mesmo à distância e estava muito animada em vir para o Brasil, pois já havia
estudado sobre nosso país e sonhava conhecê-lo. Aliás, Leopoldina era muito
culta. Recebeu uma esmerada educação: sabia matemática, pintura, música, sabia
falar francês, alemão, latim e também escrevia muito bem. Além de inteligente,
era muito gentil e tinha muita fé em Deus.
Leopoldina teve um papel importantíssimo no
processo de nossa independência, juntamente com José Bonifácio,
aconselhando e apoiando o príncipe. Após o anúncio de Dom Pedro I de que
ficaria no Brasil, a tensão entre portugueses e brasileiros aumentou. Na busca
de apoio e tentando acalmar os ânimos, o príncipe partiu para São Paulo. Em um
documento oficial, deu toda a liberdade à Leopoldina para tomadas de
decisões importantes. Isso fez dela a primeira Chefe de Estado do Brasil.
Curiosidade: o amarelo de nossa bandeira não se refere ao ouro,
mas sim à cor do brasão da família Habsburgo, de onde vinha Leopoldina.
Já o verde representa a família Bragança, de Dom Pedro I. Na ocasião da
Independência, conta-se que Leopoldina, “juntando todos os tecidos verdes que
pôde encontrar no palácio, fez vários laços para serem usados nas roupas dos
soldados e da nobreza” (p.38 do livro Leopoldina, a princesa que amava o
Brasil, de Bia Bernardes). Leopoldina era muito amada pelo povo brasileiro. Sempre atenta aos mais pobres, ajudava-os de todas as formas e, por isso, ficou conhecida como a “Mãe da Nação”.
O nome Leopoldina tem raízes germânicas: deriva
dos elementos do alemão antigo "liut"(povo) e "bald" ousado,
corajoso. Um nome que cai como uma luva para nossa imperatriz!
O onomástico é comemorado dia 17 de agosto. É dia da beata Leopoldina Naudet, irmã religiosa nascida na Itália, de origem francesa e austríaca.
Três personalidades e / ou personagens:
Leopoldina Ferreira Paulo - foi uma antropóloga e professora
universitária portuguesa.
Leopoldina Balan– foi uma atriz e cantora romena, bastante
reconhecida em seu país.
Maria Leopoldina Guia (1946–2006) – foi uma fadista portuguesa. Gravou “Versos do Orgulho” (poema de Florbela
Espanca) e teve carreira ligada ao fado ribatejano.
Temos também a cidade de Leopoldina, situada no estado de Minas Gerais. Seu nome é uma homenagem à princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon, filha do Imperador Dom Pedro II, ou seja, neta da nossa imperatriz. Antes disso, a localidade era um distrito denominado São Sebastião do Feijão Cru.
Até breve!
Fontes consultadas: wikipedia, nomix onomástico, Behind the name e o livro
“Leopoldina, a princesa que amava o Brasil” de Bia Bernardes.
Imagem da imperatriz Maria Leopoldina da Áustria